terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O pai não sabe, mas vamos procurar e aprender os dois...

[Little girl reading - Pinterest]

Existe algo de diferente em ti. Não neste momento, ou neste dia, mas desde que te peguei pela primeira vez. Os olhos azuis que herdaste da tua mãe expandiram-se como o universo, e tocas-te-me por dentro, como um dedo no coração, curiosa.
E vendo-te na nossa cama, debruçada sobre uns livros que comprei há anos a pensar neste preciso "agora", te vejo completa. Um sonho realizado. Uma batalha incessante para que cresças rodeada de estímulos, de risos e sorrisos, de bons e maus exemplos. De oportunidades para ver e aprender. Viver!

A tua mãe novamente me dirá que penso demasiado, que me preocupo demasiado, que te encho de mimos e atenção, que te estrago de certa forma. Mas um dia quando tiveres a consciência daquilo que foste, daquilo que recebeste, daquilo que fizemos juntos, prefiro que estejas farta do meu carinho, do que negligenciada, abandonada e mal amada.
Prefiro estar contigo todos os dias da minha vida a teu lado e deixar-te aventurar sabendo que estou por perto. Tenho medo de te perder. Medo que te percas nos sofrimentos que passei; Mas o mundo não é cor-de-rosa; Não é bonito, nem simpático.

Tira só mais um livro querida. Pergunta-me, explica-me, mostra-me! O pai também quer aprender a forma como vês o mundo. Lê, escreve, desenha, pinta! O pai ama tudo o que crias, tudo o que imaginas, tudo o que inventas nesse mundo fantástico que não acaba.

Ama. Aprende.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A objetificação da Mulher e do Homem na sociedade e em contexto de Violência Doméstica... [7]

A objetificação do Homem
Através dos vários meios de comunicação social - Parte 3

A mulher, continua a ser objectificada, tal como o homem, mas existe algo a seu favor: a Exigência.
A exigência é uma das "defesas", um dos caprichos que as mulheres "exigem" do mundo construído pelos homens. É uma escolha instintiva, se... vivêssemos no habitat natural, sem regras ou leis. Mas esta "escolha", perante a sociedade controlada por emoções, leis e "boa educação", não é algo belo como quando vemos os machos a lutar pelas fêmeas.
Uma mulher pode ser exigente com o tipo de homem que procura, e a sociedade não poderá dizer que é algo errado, imoral ou de pouca maturidade. Ela "tem o direito" de escolher quem quer ao lado dela. "Tem o direito" de exigir o tipo de homem. Com status social, se é rico já é uma goldigger, mas se for do tipo de homens que é cavalheiresco, que é um "achado", um "artefacto raro", que dá flores, faz surpresas, leva-a a jantar fora, é bom na cama, etc. Aquele tipo de homem que não se encontra sentado em casa e o tipo de homem que não comem quando saem à noite. O que elas exigem deles, é o macho-alpha que se encaixe de forma quase perfeita nas ideologias, gostos e prazeres que elas têm, que elas querem continuar a ter, ou que não querem abdicar.

As mulheres, pela "lei" da sociedade, têm direito a serem e fazerem esse tipo de exigências.
MAS um homem não tem esse direito. Caso o faça; caso tome essa decisão, é considerado machista, sexista, porco e interesseiro.
O homem não tem poder de escolha, porque é automaticamente visto como um monstro que só veio ao mundo para usar e abusar das mulheres. Os homens "são todos iguais".
Mas a realidade, é que o homem tem tanto direito como a mulher. Não vale a pena desculpar ou dar a solução de que: Se os homens não quisessem só sexo, não haveria mulheres traídas por parvalhões. No entanto, os engatatões e as mulheres que são engatadas ou saem à noite para o engate, já passaram por muito homem e muita mulher (respectivamente), para perceber que o bom é foder. Quando for para assentar, minha gente, esses vão acalmar-se e tornar-se-ão mais selectivos.
Essas pessoas, que querem sexo, também selecionam os seus alvos, e não há mal nenhum nisso. Foder é uma dança de acasalamento. Nenhuma gaja ou gajo, sem estarem bêbados, aceitariam que qualquer rapaz ou rapariga se atirassem a eles. É preciso que essa pessoa seja bonita, divertida, interessante e que tinha algo diferente para lhes mostrar, algo que seja capaz de lhes chamar a atenção que outra pessoa já não o tenha feito.
Mas se o homem é exigente e selectivo, se rejeita, ele torna-se novamente o mau da fita.

Este pensamento feminista, oprime o homem de encontrar a parceira que ELE quer, com todo o direito que elas têm no dia-a-dia. Não é errado escolher. Não é errado preferir uma a outra, é a lei da natureza. É por isso que os lobos não engravidam todas as lobas. Eles procuram as que melhor se ligam e se dão com ele.
E vamos aproveitar para por os pontos nos is:
Os homens querem uma mulher, em primeiro lugar e acima de tudo para foder! Ponto final!
Tudo o resto: conversar, aprender, conhecer, viver, chorar, amar, partilhar, sair para jantar, ver um filme, ouvir música, debater, construir, desenvolver, rir e sorrir, vem depois. E acreditem meninas; se vocês não demonstram interesse na cama, não tarde ele procura alguém que o tenha! E se não demonstram interesse em estar ao lado dele ou com ele, rapidamente voz achará uma seca.

Uma das coisas que se tem notado, é do simples facto de que raparigas que preferiram continuar a estudar e a viverem com uma ou duas pessoas no espaço dos 4/5 anos em que tiraram a licenciatura, têm uma maior dificuldade em apareceram no mercado como maduras, como adultas, com personalidade, com resiliência e força psicológica suficiente para se sentirem confiantes e vivas perante um macho.
Para este tipo de raparigas, a exigência é muito grande. Se não dá à primeira conversa não perco o meu tempo. Estão num patamar tão alto, porque já têm namorado ou acabaram recentemente com um, que para voltar a descer terão de fazer duas coisas:

  1. Descer do seu pedestal, aceitar que está solteira e que o mundo não vai acabar.
  2. Não descer de todo e procurar incessantemente, exigindo, um homem melhor do que aquele que ela deixou ou que a deixou.
Por causa deste tipo de situações, os homens bons, são vistos por este tipo de mulheres, como "fracos", "pouco desenvolvidos". E até mesmo perante mulheres que têm experiência, muitos namoros e desgostos, isto irá acontecer. Mas aquilo que separa estes dois tipos de mulher, é precisamente a experiência. Enquanto uma não a tem e exige no homem para que seja Assado e Cozido, a mulher experiente dará uma oportunidade emocional e intelectual à cara metade. O que acontece nesta ultima situação, é uma abertura de si para com o rapaz, na esperança de este se sentir confortável e confiante com ela.



O que aprendi com raparigas/namoradas exigentes?
O que aprendi ao ser exigente com elas?

Falarei então da minha perspectiva:
Ela gosta de mim, ama-me, mas evita estar comigo em público. Há sexo, há beijos, há abraços, mas se eu fico excitado, com um simples beijo, para ela é sinal de "querer só sexo". Se ela não aceita que veja pornografia ou outra coisa qualquer, porque diz sentir-se traída, demonstra falta de confiança em mim, de respeito pelo que gosto, e de maturidade da parte dela. Os ciúmes interferem ao ponto de me "proibir" de ver até mulheres na televisão ou na internet.
O que aprendi? -- Que uma rapariga que não têm consciência de que são dois indivíduos, que ambos têm os seus gostos, e de que da parte dela não existe maturidade suficiente para confiar na cara metade ou que os ciúmes exagerados minam uma relação.
O que ela exigia? -- Que não olhasse para outra raparigas, que não me masturbasse a ver sexo, que fosse mais homem, que fosse mais responsável. (Numa altura em que eu ainda me estava a descobrir)

Ela demonstra gostar, mas não beija, não abraça, não vem ter comigo, não me abraça quando me vê, usa sempre a mala em cima das pernas quando vamos de carro ou estamos no cinema e não posso passar-lhe a mão na perna. Não se sente confortável em experimentar ou em fazer caricias e algo mais físico, como preliminares antes do sexo. Virgem e tem medo: recusa-se a fazer o que quer que seja! As conversas dela, quando sai de casa para "viver" é uma panóplia de situações depressivas que passa em casa.
O que aprendi? -- Existem momentos para conversas tristes e problemáticas. Se ela não dá sexo, se não tem vontade em descobrir, se não abraça, não beija nem existem momentos que poderia haver troca de carinho e amor da parte dela, então a situação em que me encontro não é uma relação, mas uma amizade.
O que ela exigia? -- Que aceita-se que ela era tímida, que tinha medo em fazer ou experimentar algo perto do sexo. Que não estava habituada a beijos e abraços. Que a mãe lhe ficasse com o ordenado e o usasse para fazer as compras para a casa.

Ela gosta de mim, mas precisa que lhe faça perguntas para saber como está, o que pensa e o que sente. Combina-se várias vezes para nos encontrarmos e diz ficar indisposta. Faz um "esforço" para ir ter comigo porque lhe peço muito e a única coisa que quer é ir para casa. No sexo, faz por fazer o "jeito", não parece ter grande vontade.
O que aprendi? -- Se não vai ter contigo por vontade, se não está contigo com vontade. Se não há nada para dizer, se não quer dizer nada. Se não quer caminhar em frente ao invés de ficar parada a "sofrer", se no sexo, quando faz é um pouco por "também tenho de dar porque ele deu", de mãos para baixo, sem demonstrar desejo, demonstra falta de confiança em si. Não é algo de mau ou de errado. Mas uma rapariga com 25 anos, já devia ter maturidade o suficiente para se sentir mulher. Julgo apenas o que conheci e não sou ninguém para acusar do que quer que seja, ainda que este pedaço de texto possa ser hipocrisia minha. Mas se não demonstrou vontade em estar, a não ser quando estávamos sozinhos. E quando estávamos sozinhos, não parecia envolvida o suficiente no acto, estaríamos a perder tempo um com o outro. Não é que não gostasse de sexo, mas eu, gosto de saber que a outra pessoa também gosta em dar. Não era pessoa de olhar para o céu, de conversar, de falar sexo a menos que tivesse vontade de fazer.
O que ela exigia? -- Que não fizesse piadas sexuais/picantes. Que não falasse tanto. Que não estivéssemos em público porque sentia-se observada. (É preciso aprender a controlar esses medos, caso contrário um dia seremos dominados por eles.)

Conhecia por facebook, amiga de uma amiga da minha mãe. Estudante, recentemente separada de uma relação de 4 anos.
O que aprendi? -- Apesar da idade já bater quase nos 30, a mentalidade era ainda miúda de 16/18 anos. Muito incomodada com a frase "Uma rapaz não deixa cona para ficar sozinha". Não tinha nada de adulta. Estava ainda amargurada, apesar de ter sido ele a acabar com ela e lhe dizer que já não sentia nada. Não era interessante para conversar, e bastou perceber isso por ser muito negativista com ela própria ou não falar de todo, ou sequer fazer perguntas.
O que ela exigia? -- Que não fizesse tantas perguntas, que não "julga-se" o ex-namorado, que não fosse frontal.

O que aprendi com elas?

Aprendi que a higiene é muito importante. Assim como falar sobre sexo, ter uma relação aberta e sincera. Gostar de sexo e de dar prazer. Gostar de abraços, beijos e de caricias. É importante que cada um dê ao outro sem pedir ou pensar na troca de favores. Cada um caminhar metade do caminho para se encontrarem e mais importante, conversarem e exporem sem medos.
Se elas não dão o mínimo em termos emocionais e não são maduras, com uma personalidade e opinião própria, demonstra uma falácia para com uma relação entre duas pessoas. A curto-médio prazo, não mudaram, não cresceram, não aprenderam nem ensinaram nada de novo. Estão paradas no tempo e ainda a descobrirem-se.

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A objetificação do homem, perante mulheres exigentes, é como um combate de box no qual tentam acompanhar a namorada para tentar perceber como e o que querem realmente da relação ou deles próprios. Neste tipo de relação só há um lado que ganha e que permanece satisfeito, chegando ao fim da relação como se tivesse sido, ela própria traída. O homem tenta dar, mas acaba por dar muito, se não mesmo tudo, e perde o que nunca teve.
Da minha perspectiva, um mulher que não avança, deve ser informada e até mesmo avisada se for necessário, de que as coisas não estão a funcionar.
Porém, quando as coisas se sentem que não estão a funcionar, que não existe nada que os une, que os mantenha juntos, que não há nada para partilhar, que não existe desejo ou vontade, não há razão para continuar a enganar duas pessoas. Vocês e elas/eles.

Elas podem exigir, e os homens também. Poderá não ser saudável para quem leva o "não", ou o fim da relação na cara, mas é importante para fazer crescer as pessoas. Para as fazer amadurecer e as fazer perceber que tipo de homem ou de qualidades e defeitos querem, toleram e aceitam ao seu lado.

A objetificação da Mulher e do Homem na sociedade e em contexto de Violência Doméstica... [8]

domingo, 30 de outubro de 2016

Ele existe em ti, consegues ver?

[Horizon - Pinterest]

Conheces o vazio? Consegues senti-lo? A subir pelo teu corpo, arrastando a tua sombra pelo chão, esticando-a e torcendo-a através do caminho que tomas.
Sentes o frio comer-te as costas e as mãos? O choro da chuva inundar-te a mente de melancolia e fazer descer por ti um diluvio de incertezas e inseguranças? Os desejos e os sonhos dissipam-se na escuridão e um poço é tudo o que tens para usar; sem corda, sem balde, sem água.
Sentes a solidão engolir-te? O horizonte assombra o teu presente com o inevitável fim que antevês, que se aproxima e não muda, não melhora, não se transforma. Caminhas lentamente para ele, o teu fim trágico, onde todos os teus arrepios acordam e gritam apavorados o assombro que se avizinha, ali, ao fundo, aqui tão perto, no agora que se cobre de nuvens.

E não há nada mais bonito que o terror que sentes na alma, no peito. O desejo de abraçar essa negra nuvem que se avizinha, com o nevoeiro que a acompanha como uma capa de herói.
O que ser nesse momento? O que fazer? O que dizer?
O nevoeiro passa por ti, atravessas-o sem mexer um músculo e sentes que te arrasta. Deixa-te levar, qualquer lugar será melhor do que a vida miserável que levas neste mundo em devaneios.

Conheces o vazio? A dor que ele traz? O ódio de que te alimentas? O frio que te derrota?
Queres conhecer o fundo do poço que escavas de mãos despidas e de costas rasgadas? Abre os olhos e chora. A derrota vê-se no horizonte e nunca poderás fugir dela.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ernst, prazer em conhecer-te!


Ernst atravessou a biblioteca, colando o olhar ao de Catherine, a bibliotecária alta e extremamente tímida.
Não sabia o que fazer. Estava em pânico e o balcão à sua frente não ajudava muito a sua confiança. Meia trémula e apavorada, de um lado para o outro, tentou desviar o olhar sobre uns livros empilhados, mas a postura de Ernst, com os olhos focados no seu corpo, não a impediram de espreitar, por entre o cabelo, aquele rapaz confiante, lindo e destemido a caminhar na sua direcção.
-- Olá, boa tarde. -- ofereceu-lhe Ernst, poisando alguns livros.
-- Boa tarde. -- gaguejou Catherine. As bochechas já rosadas escondiam-se atrás do cabelo loiro longo e liso. -- É para levar? -- perguntou sem o olhar.
-- Sim. -- confirmou, tentando encontrar os olhos da trémula rapariga.
Passou os livros no leitor de barras e devolveu-os ao pedaço de homem que lhe estava a tirar as forças das pernas e da fala.
-- Catherine? O que fazes mais logo?
-- Eu? -- a lingua enrolou-se e gaguejou muito nervosa. -- Eu... Não sei... Vou para casa.
-- Não me dispensas cinco minutos da tua companhia?
Devidamente informatizados, entregou os livros a Ernst. As bochechas coradas aquecia-lhe a face e as orelhas pareciam inchar. O coração palpitava, o peito custava a encher e as mãos tremiam nervosamente segurando uma caneta.
-- Respira fundo. -- segurou-lhe a mão e a esferográfica num só movimento. -- Não há razão para uma rapariga como tu estar nervosa.
-- Não estou. -- desculpou-se, olhando-o nos olhos por breves momentos. A sua mão continuava presa pela confiança do rapaz, e tão cedo não a forçaria para que fosse livre novamente. O toque dos seus dedos nos dela, quase entrelaçados, combinando a firmeza dele com a pele sedosa dela, fazia-lhe crescer entre as pernas e na ponta da lingua, um desejo ardente de ser atacada por tudo o que compunha o rapaz. Desde o seu físico à sua personalidade e mistério.
-- Telefona-me quando estiveres pronta. -- pediu Ernst com um olhar sereno.
Catherine não respondeu nem acenou com a cabeça. Ficou a olhar para o número na palma da mão. Uma caneta bateu-lhe nos dedos e caiu na mesa logo abaixo. Ernst tocou-lhe com um só dedo no anelar. Nesse mesmo instante, Catherine olhou-o nos olhos e vislumbrou um sorriso, seguido de um piscar de olho. O rapaz virou costas e saiu com os livros debaixo do braço. Em choque e com a vergonha a entupir-lhe os ouvidos, deixou-se ficar a olhar para ele, já do outro lado da janela, enquanto uma rapariga da idade de Ernst aguardava a vez de ser atendida.
A campainha tocou e o transe desfez-se. Das seis horas que lhe restavam do dia de trabalho, Catherine iria passar os seus olhos mais vezes no número de telemóvel tatuado na sua mão do que no Enter do teclado.

O seu primeiro dia de estágio acabara de se tornar ainda mais inesquecível!
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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Hipnótica

[Wuthering Heights - Pinterest]


Hipnótica. É a palavra que melhor descreve o teu rosto. Só um poeta apaixonado seria capaz de pintar uma obra da tua beleza.
Os teus olhos não me penetram, chamam-me a ti, fazem-me questionar a sanidade da razão e ponderar a loucura. A misteriosa dor que é te olhar, a da paixão, de te conhecer e saborear em cada palavra "louca" que teces na minha mente, numa conversa que só faz sentido no coração que já não pertence a nenhum de nós.

Sê simples, sê mulher. Sê, sem nunca te fechares do mundo; principalmente de mim. Quero ver o teu sorriso ao acordar de manhã, para o resto da vida, e inspirares-me com toda a tua essência.
Sê minha. Faz-me crescer. Pois do que do que depender de mim, já mais te largarei a mão, os pés nunca terão descanso e a mente viajará na nossa história, nos nossos sonhos, nas nossas conquistas.


Encontrar-te, foi mágico.
Conhecer-te, um desafio.
Mas amar-te... divino!

domingo, 2 de outubro de 2016

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [49]

[Standing on her neck - Pinterest]

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Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [48]

-- Não me mates por favor! -- gritou, berrou, esperneou, enquanto a arrastava pelos cabelos para fora da cozinha.
-- Na cama não gemias tanto... -- comentei, sentindo o peso do seu corpo incomodar-me o cotovelo.
Atirei-a para o sofá e tapei-lhe a boca com fita-cola. Prendi os membros com Zips. Vê-la assim amarrada, de cara vermelha e em pânico acendia uma chama em mim que já não controlaria durante muito tempo. Esta noite será memorável!
Tranquei a porta da frente, ajeitei os cortinados, apaguei as luzes e subi as escadas. A mãe da criança arrastava-se pelo chão, até à casa-de-banho onde a sua filha gritava por si. O chão manchava-se de sangue e a maçaneta da porta movia-se violentamente, sincronizada com a vosita de Carolina.
-- O que quer de nós? -- gritas-te, com raiva, seguindo-se um choro descontrolado e derrotista de ti mesma. Ias morrer, ouvias a Morte aproximar-se.
-- Não preciso de nada vosso, por enquanto. Mas levarei a tua filha comigo...
Vi a raiva surgir na tua cara em volta do nariz e o teu franzir de sobrancelhas. Se não tivesses levado um tiro no ombro, acredito que naquele momento terias tentado atirar-me ao chão.
-- Não abras a porta Joana!
-- Mamã! -- gritou a criança indefesa.
-- És patética. -- levantei-a pelo ombro ferido. Gemeu e gritou de dores. -- Ainda não te convenceste de que não há nada de que eu não possa fazer. Continuas a acreditar que tens salvação. O que pensas? Que um raio vai entrar por aquela janela e matar-me!? -- nos milésimos de segundo que passaram, o quarto iluminou-se com um clarão do exterior, seguido de um estrondo que fez o soalho tremer.
-- MAMÃ! -- gritou a miúda assustada, forçando ainda mais violentamente a maçaneta.
-- Quem diria... -- respondi admirado. -- Joana, se não te calas, EU MATO A TUA MÃE! -- gritei. Os gritos histéricos pararam de imediato.

Sinto a ferida no ombro aprofundar-se e uma dor aguda intensificar-se. Não conseguia controlar o meu corpo com tanto sofrimento. Agarrou em mim, arrastou-me até às escadas e atirou-me por elas a baixo. Senti a cabeça bater em cada degrau. Senti-me um saco cheio de ossos partidos. Não me conseguia levantar.

Deitei-te no chão, atei os braços e as pernas. construí a cena de um crime perfeito e bastava agora dar-te um tiro na cabeça.
Madalena seria acusada de triplo homicídio e ocultação de cadáver, pois Joana nunca mais seria encontrada. Em tribunal, as investigações revelariam que tudo tinha sido um acto de ciúmes, comprovados por emails e telefonemas trocados entre um homem e a patroa.
Enquanto me investigassem, Joana estaria escondida na minha cave, por pouco tempo obviamente, até poder mudar de país e a declarar como minha filha.
Fui buscar a tua funcionária e soltei-a. Estava assustada, vidrada no teu corpo nu coberto de sangue.
-- Estás bem? -- perguntou a amiga.
-- A Joana! Vai buscar a Joana!
Madalena olhou-me nos olhos e pisei-lhe a cabeça com a bota.
-- Ninguém vai a lado nenhum. -- proibi.

Adoro ouvir-te, ver-te e cheirar-te... [50]